Quem desiste, na verdade nunca quis.
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“Eu poderia te dizer aquelas doces mentiras sinceras - “você-é-minha-vida”, “não-sei-o-que-seria-da-minha-vida-sem-você” ou todo esse tipo de porcaria que a gente diz no calor da hora. As pessoas são assim, dizem que não sabem viver sem você. Depois aprendem e esquecem de comemorar contigo. E deixam vazio o lugar que sempre será delas. Eu não, simplesmente estou aqui. De vez em quando sujo, entediado, agressivo, mal-humorado, triste, calado e chato. Mas aqui.”
Gabito Nunes  (via doce-inverno)

“Ali na outra esquina, na outra casa, no outro dia, na outra vida. Ali na outra dimensão, em outra era, em outros risos. Ali, bem no meio do teu choro, bem na linha do teu medo, nas histórias inventadas e corriqueiras. Ali, no mar gigantesco, nas ondas que se fundem em cavernas, nas vidas e marcas que se carrega. É, bem aí no meio da confusão, do partir e ficar, da parte frágil e estendida que você é, da sua coluna segurando tudo e não te deixando nada, no meio desse seu engano, dessa sua fúria, dessa tua percepção, aqui onde as palavras um dia juradas se tornam poeira, onde o desatar de mãos não dói, não marca, onde minhas lágrimas caem por pura maldade e devoção. Aqui amor, dentro do meu peito, o lugar onde você fez festa e depois apagou a luz, rompeu porta a fora, e foi ser feliz como se eu nunca houvesse lhe dado o melhor de mim. Como se minha alma ainda não suspirasse por você. Aqui, onde tua cabeça encostou e chorou, onde houveram mãos para te cercar, onde os ouvidos estavam dispostos a lhe dar atenção. Aqui, dentro, aqui, perto, aqui, explodindo as minhas esperanças, gritando as verdades que eu nunca te escondi mas nunca me contei, aqui eu entorno os sentimentos em gotículas que escorrem azuis, a cor mais fria das cores frias, só pra ver se eu me acolho, só pra ver se eu te esqueço.”